Casar para mim foi clautrofóbico; tanto que quase desmaiei logo após a troca das alianças, ainda no altar. Senti como se meu sistema tivesse entrado em stand by por alguns minutos para que minha alma pudesse abranger a repercussão do simbolismo.
Recuperei minhas funções autonômicas com relativa facilidade, mas uma pulga atrás da orelha me instigou a ficar alerta. Me ensinou a matemática do "todos os dias de nossas vidas"...
Nossas vidas??? Socorro! Claustrofobia vertiginosa...
Eu quero a minha vida, minha liberdade, meu tempo, meu espaço!
Todos os dias??? Ah não... tá de brincadeira! Todos todos?? Sem férias, feriados ou 13º??? Oh, pulga... eles tão loucos, né?!
Comecei a investigar cada momento de convivência, cada interação sob a lente do "tem que valer muito a pena então". E cada discordância que encontrava (e encontrava obviamente) pensava RÁ! Tá aí... imagina essa incomodação para o resto da vida? Imagina... multiplica (como diria Paulinho Mixaria)!
E é claro em poucos dias cheguei à conclusão de que um divórcio era necessário.
Chorei, gritei, argumentei, expliquei, mas meu esposo sugeriu respirar um pouco e rever a urgência mais tarde.
Meio que a contra gosto aceitei... afinal uma segunda opinião (minha) seria uma boa idéia.
Duas semanas depois ele entrou no mar de jet ski e caiu entre as ondas. Minha alma acordou. Em um reflexo amigdaliano a quantidade de informações que eu processei e a rapidez com que reagi foi avassaladora.
Ele não estava tão longe no mar, estava de colete e tinham outras pessoas a quem recorrer que estavam atentos e por perto. Mas como que por empatia eu vislumbrei a cascata de desespero que ele estava sentindo, à mercê da ondas, engolindo água, paralizado pelo pânico, preocupado em resgatar o jet ski, furioso por aquilo estar acontecendo com ele, vendo-se sozinho, precisando agir e sentindo-se impotente, as tentativas frustas de voltar para a areia...
Não era esse horror todo, não seria pra outras pessoas, mas para ele era; eu sabia. Sabia porque ele tinha me cativado. Sabia porque já passamos por muita coisa juntos. Sabia porque sabia. Eu, sabia. Aquelas outras pessoas não.
Em segundos joguei no chão o casaco, o vestido e a toalha em que estava enrolada (sim fazia muito frio)e entrei no mar, nadei rápido até que ele pudesse me ver. Era só o que ele precisava, me ver, me ouvir e ele saberia que iria ficar bem. Não havia necessidade que eu tocasse ele, que o carregasse até a areia, eu sabia. E foi assim. Quando cheguei a alguns metros dele o pânico diminuiu, a paralização passou e ele mesmo se organizou.
E então minha alma esmagou a pulga. Porque meu amor por ele é amigdaliano. Porque ter uma ligação tão forte assim com uma pessoa... é viver.
E se o casamento é o claustro onde eu posso usufruir dessa ligação, então este é o meu claustro, é o meu mundo, é onde eu vivo.
Então tudo pareceu mais espaçoso. Lembrei e encontrei todos os cantos e arestas que são só meus, onde eu sou só eu. E respirando com toda facilidade, decidi fazer lentilhas na panela de pressão pela primeira vez, para esperar meu marido em casa com a janta pronta. Convidei meu pai para vir assistir; meu melhor amigo iria entender a simbologia dessa primeira janta.
Uma gaveta virtual daquilo que acho interessante! Coisas que provavelmente gostaria de ler mais uma vez no futuro.
sábado, 30 de outubro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
The Only Exception
When I was younger I saw
My daddy cry and curse at the wind
He broke his own heart and
I watched as he tried to reassemble it
And my mamma swore that she would
Never let herself forget
And that was the day that I promised
I'd never sing of love if it does not exist
But darling...
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception...
Maybe I know somewhere deep in my soul
That love never lasts
And we've got to find other ways
To make it alone or keep a straight face
And I've always lived like this
Keeping a comfortable distance
And up until now I swored to myself
That I'm content with loneliness,
Because none of it was ever worth the risk
But you are the only exception
But you are the only exception
But you are the only exception
But you are the only exception
I've got a tight grip on reality,
But I can't let go of what's front of me here
I know you're leaving in the morning, when you wake up,
Leave me with some kind of proof it's not a dream
You are the only exception...
And I'm on my way to believing
Oh and I'm on my way to believing...
My daddy cry and curse at the wind
He broke his own heart and
I watched as he tried to reassemble it
And my mamma swore that she would
Never let herself forget
And that was the day that I promised
I'd never sing of love if it does not exist
But darling...
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception...
Maybe I know somewhere deep in my soul
That love never lasts
And we've got to find other ways
To make it alone or keep a straight face
And I've always lived like this
Keeping a comfortable distance
And up until now I swored to myself
That I'm content with loneliness,
Because none of it was ever worth the risk
But you are the only exception
But you are the only exception
But you are the only exception
But you are the only exception
I've got a tight grip on reality,
But I can't let go of what's front of me here
I know you're leaving in the morning, when you wake up,
Leave me with some kind of proof it's not a dream
You are the only exception...
And I'm on my way to believing
Oh and I'm on my way to believing...
Zeca Baleiro
A depender de mim
Os psicanalistas estão fritos
Eu mesmo é que resolvo os meus conflitos
Com aspirina amor ou com cachaça
Os gritos todos virarão fumaça
A dor é coisa que dói e que passa
Curar feridas só o tempo há de rir
Toda regra pára o bem da humanidade
É certo, necessita de exceção
A depender de mim
Os publicitários viram bolhas
Eu sei como fazer minhas escolhas
E assumir os erros que lá vem
Se a alma finca pé, os medos somem
Menino nunca deixe que te domem
Meu pai dizia o verdadeiro homem
Sabe o que quer ainda que não queira
Besteira é não seguir o coração
A depender de mim
Os padres e pastores serão tristes
Eu penso mesmo que deus não existe
E ainda assim quem sabe eu creia em deus
Se deus é o outro nome da verdade
Deste momento até a eternidade
Eu levo entre mentiras e trapaças
Besta felicidade frágil farsa
Do que preciso riso preces e paixão
Zeca Baleiro
Os psicanalistas estão fritos
Eu mesmo é que resolvo os meus conflitos
Com aspirina amor ou com cachaça
Os gritos todos virarão fumaça
A dor é coisa que dói e que passa
Curar feridas só o tempo há de rir
Toda regra pára o bem da humanidade
É certo, necessita de exceção
A depender de mim
Os publicitários viram bolhas
Eu sei como fazer minhas escolhas
E assumir os erros que lá vem
Se a alma finca pé, os medos somem
Menino nunca deixe que te domem
Meu pai dizia o verdadeiro homem
Sabe o que quer ainda que não queira
Besteira é não seguir o coração
A depender de mim
Os padres e pastores serão tristes
Eu penso mesmo que deus não existe
E ainda assim quem sabe eu creia em deus
Se deus é o outro nome da verdade
Deste momento até a eternidade
Eu levo entre mentiras e trapaças
Besta felicidade frágil farsa
Do que preciso riso preces e paixão
Zeca Baleiro
Assinar:
Postagens (Atom)