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domingo, 25 de dezembro de 2011

Estrangeirismo Interno

Quando me sinto muito deslocada ou sozinha gosto de pensar, falar e escrever em inglês. Parece que desta forma sou uma estrangeira no meu mundo e assim me parece mais natural a solidão.

Uma vez participei de um grupo de terapia em inglês e um outro participante inclusive comentou que parece mais fácil falar de coisas íntimas em outra língua. Quase como se fosse então uma língua secreta, a língua da alma que é estrangeira em qualquer ambiente.

Me ocorre também que esta pode ser uma tentativa de obter uma sensação de conforto ou de controle da situação. Mas nem sempre a situação é dolorosa. Muitas pessoas quando alcoolizada falam outra língua. Será que existe alguma ligação entre expressar-se de uma forma diversa do coletivo e se sentir mais em contato com a própria individualidade?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Separações (filme)

O homem lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e de emoções que ele nunca se entusiasma com ela; assim como ele nunca teme a morte.
O homem lúcido sabe que o viver e o morrer são o mesmo em matéria de valor posto que a vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um mau.
O homem lúcido sabe que ele é o equilibrista na corda bamba da existência e ele sabe que, por opção ou por acidente, é possível cair no abismo a qualquer momento - interrompendo a sessão do 'circo'.
Pode também o homem lúcido optar pela vida.
Aí ele esgotará todas as possibilidades.
Ele passará pelo seu campo aberto, pelas suas vielas floridas.
Ele saberá ver beleza em tudo.
Ele terá amantes, amigos, ideais, urdirá planos e os realizará.
Existirá os infortúnios e até mesmo as doenças.
E se atingido por algum desses emissários, saberá suportá-los com coragem e com mansidão.

domingo, 6 de novembro de 2011

Felicidade Desesperadamente - André Comte-Sponville

"Imaginem, senhoras (pois é nesse sentido que a coisa costuma acontecer, mas se as senhoras quiserem inverter os papéis não sou eu que vou me opor), imaginem que um homem aborde as senhoras na rua, esta noite ou amanhã, dizendo: "Senhora, senhorita, estou feliz com a idéia de que você existe!" Como não pode excluir que ele tenha tirado essa idéia de minha conferência, eu preciso lhes dar alguns elementos de resposta, com os quais farão o que quiserem... O que poderiam responder? Isto, por exemplo:
"- Caro senhor, agrada-me muito saber disso. Está feliz com a idéia de que existo; ora, como está vendo, eu existo mesmo, logo vai tudo bem. Boa noite."
Ele sem dúvida vai tentar retê-la:
"- Espere, não vá embora: quero que você seja minha!"
- Ah, agora, meu caro senhor, a coisa muda. Releia Spinoza: 'O amor é uma alegria que a idéia da sua causa acompanha.' Concorda?
- Sim...
- Nesse caso, o que é que o deixa contente? Será que o que o deixa contente é a idéia de que existo, como entendi primeiro? Nesse caso, concedo-lhe que você me ama, alegro-me e lhe dou boa-noite. Ou será que o que o deixa feliz é a idéia de que eu lhe pertença. como temo ter compreendido agora? Nesse caso, o que você ama não sou eu, é a posse de mim, o que significa, caro senhor, que você só ama a você mesmo. E isso não me interessa nem um pouco!"
Vocês sem dúvida o deixarão desnorteado. Ele vai gaguejar, engasgar, replicar por exemplo:
"- Não sei, estou apaixonado, ora bolas!
- É exatamente o que estou tentando lhe explicar! Você está apaixonado, você está em Platão, você só deseja o que não tem: eu lhe falto, você quer me possuir. Mas imagine que eu lhe satisfaça suas investidas... De tanto se sua, de estar presente todas as noites, todas as manhãs, necessariamente vou lhe faltar cada vez menos, por fim menos que outra ou menos que a solidão. VIvemos bastante, você e eu, para saber como isso acaba... Quer mesmo que recomecemos essa história mais uma vez? A mim não interessa mais, a não ser... a não ser que você seja capaz de amar de outro modo, de ser spinozista, às vezes pelo menos, ou de viver um pouco em Spinoza, quero dizer, amar o que não lhe falta, regozijar-se com o que é. Nesse caso, poderia me intessar. Pense nisso. Aqui tem meu telefone."
Não há amor feliz, nem felicidade sem amor. Não há amor feliz, enquanto falta ao amor seu objeto. Não há felicidade sem amor, enquanto a felicidade se regozija.
Há uma coisa que a falta não explica: que existam casais felizes às vezes, que haja um amor que não seja de falta, mas de alegria, que não seja de tédio mas de carinho, que não seja de frustração, mas de prazer, que não seja de ilusão mas de verdade, de intimidade, de confiança, de desejo, de sensualidade, de gratidão, de humor, de felicidade... "Eu te amo" eles dizem: "sou tão feliz por você existir, feliz por você me amar, feliz por compartilhar sua cama, sua felicidade, sua vida." Todo casal feliz é uma recusa do platonismo. Para mim, é um motivo a mais para gostar dos casais, quando são felizes, e desconfiar do platonismo.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Bridge over troubled water

When you're weary
Feeling small
When tears are in your eyes
I will dry them all

I'm on your side
When times get rough
And friends just can't be found
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

When you're down and out
When you're on the street
When evening falls so hard
I will comfort you

I'll take your part
When darkness comes
And pain is all around
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

Sail on Silver Girl,
Sail on by
Your time has come to shine
All your dreams are on their way

See how they shine
If you need a friend
I'm sailing right behind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind

terça-feira, 7 de junho de 2011

Muse

You're just too good to be true
Can't take my eyes off you
You feel like heaven to touch
I wanna hold you so much
At long last love has arrived
And I thank God I'm alive
You're just too good to be true
Can't take my eyes off you
Pardon the way that I stare
There's nothing else to compare
The sight of you makes me weak
There are no words left to speak
So if you feel like I feel
Please let me know that it's real
You're just to good to be true
Can't take my eyes off you
I love you baby, and if it's quite alright
I need you baby to warm the lonely nights
I love you baby, trust in me when I say
Oh pretty baby, don't bring me down I pray
Oh pretty baby, now that I've found you, stay
Let me love you baby, let me love you

terça-feira, 31 de maio de 2011

Retwitts

Ajudar um inimigo ainda é vingança;

Eu respeito críticas, mas respondo a insultos;

Só assume a culpa que decidiu mesmo se separar;

A incompetência dos outros é o melhor estímulo profissional que existe;

Invejo a confiança da ignorância;

Quem é mentirosos se julga melhor do que os outros; quem é moralista tem certeza;

Quem é masoquista no trabalho será sádico em casa;

A alegria é bem mais solitária do que a dor;

A natureza é implacável e nossa existência, frágil e temporária; mas para lidar com o dia-a-dia não podemos pensar nisso;

Meus pais sempre me dizem para fazer da minha vida um exemplo dos meus valores, mas sempre que faço isso eles me mandam parar;

Toda vez que o mundo parece complicado eu tiro um cochilo e espero a hora do jantar;

A vida é curta demais para eu tentar agradar a cada idiota que pensa que sabe como eu deveria agir;

É preciso negar muitas coisas para se manter doente;

O medo é muito mais perigoso do que um enfrentamento;

As coisas se alteram espontâneamente para pior se não forem deliberadamente alteradas para melhor;

De repente as coisa não precisam mais fazer sentido (...). De certo tudo deve estar sendo o que é;

O temor não esvazia o amanhà de tristezas, esvazia a força do hoje;

Antecipe o difícil gerenciando o fácil;

Não é o medo da loucura que vai nos obrigar hastear a meio-pau a bandeira da imaginação;

O homem não é tão ferido pelo o que acontece, e sim pela sua opinião sobre o que acontece;

O mais corajoso dos atos ainda é pensar com a própria cabeça;

No campo da observação, o acaso favorece apenas o espírito preparado;

Seja dono da sua boca para não ser escravo de suas palavras;

A coisa mais cansativa na vida é não ser autêntico;

A paixão é pessimista, antecipa tudo com medo de que o amor não aconteça;

Bajulação é incompetência amorosa;

Confiar em si nunca será desconfiar dos outros;

Quem usa fala macia é certo que vai agredir;

Aprenda a parar de desperdiçar energia mental com coisas que estão além do seu controle;

Fracasse com frequência para ter sucesso logo;

Por mais bonita que seja sua estratégia, ocasionalmente dê uma olhada nos resultados;

A verdade vira certeza quando não incomoda mais;

Seja sempre uma versão de primeira categoria de si mesma, em vez de uma versão de segunda categoria de outra pessoa;

Tornei-me adulto quando passei a escolher o que ouvir;

A perseverança é mãe da boa sorte;

Técnica é o que você usa quando falta inspiração;

Já reparou em como os adultos ficam tensos quando estão se divertindo?

A maior parte das maldades é dita por absoluta falta de assunto;

A primeira condição para se alguma coisa é não querer ser tudo ao mesmo tempo;

É desnecessário dizer que todo aquele que partilha um delírio jamais o reconhece como tal;

Sabe o que é estranho? Dia após dia nada parece mudar, mas quando nos damos conta tudo está completamente diferente;

Todo homem luta com mais bravura por seus interesses do que por seus direitos;

Se compreendêssemos, nunca mais poderíamos julgar;

É o que nós pensamos que sabemos que nos impede de aprender;

Pobre daquele que está sempre cansado de tudo e de todos, porque certamente tudo e todos estão cansados dele;

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Chaplin

Vou dormir pesando no que tenho que fazer antes que o relógio marque meia noite.
É minha função escolher o o tipo de dia que vou ter hoje.
Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a sujeira.
Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado a administrar minhas finanças.
Posso reclamar sobre a saúde ou dar graças por estar vivo.
Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido.
Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho.
Posso lamentar se as coisas não saíram como planejei ou ficar feliz por ter hoje para recomeçar.
O dia está na minha frente esperando o que eu quiser.
E aqui estou o escultor que pode dar a forma.
Procure o que há de bom em tudo e em todos, não faça dos defeitos uma distância e sim uma aproximação.
Entenda os que pensam diferente de você e os aceite sem reprovação.
Não corra, pra quê tanta pressa?
Corra apenas para dentro de você.
Ouça o que as pessoas têem a lhe dizer. É importante.

Olhares - por Rubem Alves

Os olhos são órgãos marotos. Mesmo perfeitos não são dignos de confiança. "Não vemos o que vemos, vemos o que somos". escreveu Bernardo Soares. A gente pensa que os olhos põem pra dentro o que está longe, lá fora, quando o que os olhos fazem é por lá longe o que está dentro.

É o caso dos olhos do pai e os olhos do apaixonado por sua filha... Olho de pai é olho que se educou com a vida. Conhece a menina; a viu nascer, crescer, voar, cair... Alegrou-se nos dias de sol, entristeceu-se nos dias de sombra e escuridão.

Os olhos do apaixonado são diferentes. Neles mora uma pitada de loucura que se chama fantasia. O apaixonado vê como realidade aquilo que existe dentro dele como sonho. Versinho de Fernando Pessoa: "Quando te vi, amei-te já muito antes". Traduzindo: vejo no seu rosto o rosto que já morava dentro de mim, adormecido... O apaixonado é um porta-sonhos.

A paixão obscurece os olhos que se põem então a construir mitos. E os mitos podem ser enganadores. O que são mitos? Mitos são sonhos transformados em poesia. E a poesia tem poderes mágicos de transformar e de dar vida. Quem explica o mito é Fernando Pessoa: "O mito é o nada que é tudo;/ Sem existir, bastou./Por não ter vindo foi vindo e criou./ Assim a lenda se escorre a entrar na realidade/ E a fecundá-la decorre."

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Caterpillar in the tree


You tucked me in
Turned out the light
Kept me safe and sound at night
Little gilrs depend on things like that

Brushed my teeth
And combed my hair
Had to drive me everywhere
You were always there
when I looked back

You´ve had to do it all alone
Make a living
Make a home
It must have been
as hard as it could be

And when I coundt sleep at night
Scared things whouldnt turn out right
You would hold my hand and sing to me

Caterpillar in the tree
How you wander who you´ll be
Cant go far but you can always dream
Wish you may
Wish you might
Dont you worry
hold on tight
I promisse you
there will come a day
Butterfly fly away

Flap your wings now
You cant stay
Take those dreams and make them all come true
You´ve been waiting for this day
All along you´ve known just what to do
Butterfly fly away

sábado, 8 de janeiro de 2011

Pacientes

Em uma consulta de emergência - que dura em média 10 min a forma com que o paciente entra no consultório é esclarecedora.

Dentre inúmeras, tem o paciente que "sem querer" se senta ou ensaia sentar na cadeira do médico e tem aquele que vai logo deitando na maca.

Com suas exceções o primeiro geralmente veio "pegar emprestado" seu carimbo para preencher uma receita, uma solicitação de exame ou um laudo. Já o segundo mal vai saber descrever seus sintomas, pois acredita que o perito é você.

Exemplifico, "Então Seu Fulano, o que está lhe acontecendo?" e a resposta quase que ensaiada, "pois é isto que eu vim descobrir". Tento simplificar "Muito bem, então o que o Sr. vem sentindo?" para obter "Eu uso remédio para ______ e não venho me sentindo bem, a Sra. sabe...". Não, não sei...

Explicações freudianas a parte, este é um reflexo de como é incomum a interação entre as pessoas no dia a dia. Como é difícil em geral se soltar de papéis e funções e se apresentar. Um desperdício de vida e de espaço...